Como é viajar pela 3ª idade

episódio 1

Coisinhas que ora divertem, ora desafiam

Ficar velho é...
Sim, sim, companheirada de viagem pela 3ª idade, essa quadra aí nos remete lá pelo final dos anos de 1970 indo até meados da década de 1980, antes de ter sido considerada infantil, brega e outros adjetivos assemelhados: a série que embalava as nossas primeiras paixões, "Amar é".
Mas vamos a essa roupagem nova (ou velha, sei lá eu o que seria mais aplicável neste caso) para esse flagrante e inegável plágio.
"Ficar velho é... sentir que as últimas décadas não demoraram 10 anos, mas uns 5 ou 4".
Talvez isso seja uma espécie de maldição do tempo, esse danado muitas das vezes tão sacana: no início, ao final da adolescência e chegada à beirada da mocidade, o mundo dos adultos. Essa é uma época que o tempo passa lentamente. Uma lesma, se apostar corrida, é capaz de vencer. Não é uma sacanagem do tempo levar um tempão para chegar aos 18 anos? Mais sacana ainda é agora, na 3ª idade, quando ele entra em aceleração máxima. Que hora pra  ter tanta pressa, não?
Tem mais.

Ficar velho é... reencontrar um amigo ou amiga dos velhos tempos, que não via há anos, e deitar falação sobre as novidades que você já contou para essa mesma pessoa na última vez em que se encontraram... ano passado. E o duro é que algumas vezes esse amigo ou amiga nem se lembrava daquilo que já tinha ouvido. Pior do que isso é ouvir as "novidades" dele ou dela que você se recorda de já ter ouvido tintim por tintim. A única coisa boa nisso tudo é que os dois relatos são absolutamente fiéis ao falado antes. Nem sempre será assim, como se sabe.
E o teor das conversas atualizadas nesses reencontros entre amigos e amigas? Após os abraços de saudades, bora de falação, não sem antes responder a pergunta sobre a própria saúde: "Graças a Deus, Tô 'sadi-im', não sinto nada". Frase que será desmentida pelo próprio autor alguns minutos depois diante de um tossido longo. A tal "tosse de cachorro gripado". Basta isso para destruir totalmente aquilo que foi dito minutos antes por ambos a respeito da própria saúde. A partir desse ponto um consultório médico virtual se impõe na conversa. Consultório eclético ao misturar num mesmo balaio remédios quase milagrosos da homeopatia e da alopatia. E dá-lhe receitas de chás, infusões, ervas, comidas, sugestão de médicos, remédios para dormir e outros para acordar. Pra tudo e para ambos, porque nessas alturas nenhum deles deixa de confessar um incômodo aqui, outro acolá. A 3ª idade tem essa espécie de sina: trocar receitas para um bem-estar que será cada vez mais díficil, quando não absolutamente impossível, de se viver.
Falar nisso, vou acabar este episódio agora para preparar um chazinho que é pá e queda pruma porção de incômodos, mas garanto que 'sou sadi-im' tá?

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